Em dezembro, meu chefe pôs em minhas mãos uma lista gigantesca com inúmeros cursos de férias oferecidos por uma faculdade. Eu poderia escolher um. Entre ofertas como prospecção de clientes, etiqueta corporativa e guerrilha publicitária, acabei pescando um de criatividade. “Lá vou eu me enfiar entre publicitários e aprender sobre processo criativo dentro das agências”, pensei. Ledo engano.
Entro na sala de aula e dou de cara com um senhor, senhorzinho mesmo, com uns 80 anos, gravata borboleta e paletó. Este senhor, José Predebon, uma figura que poderia perfeitamente levantar a bandeira da tradição, em quatro aulas, deu uma lição de como manter a mente aberta, exercitar o dito lado “solto” do cérebro e fazer da criatividade o resultado de um estilo de vida.
Mudança, oportunidade, inquietude, conhecimento, vivência, olhar, abstração, serenidade e entusiasmo. Viver sob esta égide cria homens e mulheres entusiastas, condição essencial para uma existência criativa. Não vou aqui me prolongar sobre o curso, mas indico a reflexão sobre o assunto.
Na última aula, os alunos trouxeram dicas do que achavam que cada um de nós deveria fazer pelo menos uma vez na vida, como exercício para criatividade. A lista é, no mínimo, interessante e cheia de boas referências:
1- Acessar o Blog 4pes.wordpress.com
2- Visitar e curtir a Chapada dos Guimarães
3- Visitar o Museu Inhotim em Minas Gerais
4- Ler Osho, o mestre do Sufismo
5- Acessar o www.musicovery.com, que recomenda músicas do mundo todo de acordo com seu humor.(testado e aprovadíssimo)
6- Curtir aventuras em Brotas (SP)
7- Ler o livro Lovemarks de Kevin Roberts
8- Curtir a Praia do Sono em Paraty(RJ)
9- Assistir o Filme Tokio!
10- Acampar num lugar diferente (não em camping tradicional). Sugestão – Trilha Pedra do Sino em Teresópolis (RJ)
11-Ler o romance “Os Vagabundos Iluminados” de Jack Kerouac
12- Ler o Livro “Deus, um delírio” de Richard Dawkins/Fernanda Ravagnani
13- Assistir o filme “Tudo pode dar certo” de Woody Allen
14- Assistir qualquer filme do Woody Allen
15- Curtir o Balneário Camboriú
16- Ler o Livro “Borges e os Orangotangos Eternos” de Luis Fernando Veríssimo
17- Limpar a Mente para Olhar o mundo de forma diferente
18- Curtir a Bahia: Salvador e o Morro de São Paulo
19- Ir e experimentar o Clube Amostra Grátis e o Samplecentral
20- Cursos “Siga seus sonhos” e “O Futuro da Robótica” do astronauta “Dan Barry” (FIAP)
21-Ir “pensar na vida” em Juquehy (SP), especialmente no morro que separa Juquehy de Barra do Una
22-Palestra “Felicidade Interna Bruta” (pergunte ao mestre Google…)
23-Curtir a Ilha do Mel no Paraná
24- Ir no MASP e ver a Exposição sobre Romantismo
25- Ir para qualquer cidade e exercitar o olhar, sobretudo o “olhar para cima”, para o céu e assim limpar sua mente.
26- Para exercitar a limpeza do olhar, acessar o blog “Céu de São Paulo”
27- Curtir o site Cinema de Rua
28- Fazer a operação de Miopia no Hospital de Sorocaba ( para não ter que correr atrás de óculos reserva….)
29- Ouvir uma hora de música por dia!
30- Ir no Parque Villa Lobos em SP numa quarta-feira a tarde, sem ser feriado
31-Tomar um chopp no Frangó em SP
32-Ler o Livro “Sabedoria Incomum” do Fritjof Capra
33- Cumprir o desafio de Capra “Tentar imaginar-se dentro de uma paisagem, dentro da natureza, vibrando com a paisagem”
Ainda enviaram um vídeo que diz muito sobre o assunto:
O curso terminou com a leitura de um poema de Jorge Luis Borges:
Se eu pudesse viver novamente a minha vida,
na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais.
Seria mais tolo ainda do que tenho sido.
Na verdade, bem poucas coisas levaria a sério.
Seria menos higiênico, correria mais riscos, viajaria mais.
Contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas,
nadaria mais rios.
Iria a mais lugares onde nunca fui, tomaria mais sorvete e menos lentilha,
teria mais problemas reais e menos imaginários.
Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata e produtivamente
cada minuto da sua vida: claro que tive momentos de alegria.
Mas se pudesse voltar a viver,
trataria de ter somente bons momentos.
Eu era um desses que nunca ia à parte alguma sem um termômetro,
uma bolsa de água quente e um pára-quedas:
se eu voltasse a viver, viajaria mais leve.
Se eu pudesse voltar a viver,
começaria a andar descalço no começo da primavera
e continuaria assim até o fim do outono.
Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais amanheceres
e brincaria com mais crianças, se tivesse outra vez uma vida pela frente.
Mas, já viram, tenho 85 anos e sei que estou morrendo.
Um bom wake up! Não?!
2 Comentários Comente
Maria cavalcanti 26 de janeiro de 2011, às 13:42
Faço aqui uma correção sobre o texto que escrevi. Uma leitora, Sandra Sedini, muito gentilmente me alertou sobre o fato do poema Instantes ser um apócrifo, ou seja, um texto atribuido a um autor, mas que na verdade não foi escrito por ele. Portanto, Instantes, segundo a fonte enviada por ela (http://www.revista.agulha.nom.br/autoria.html#betty) não seria de Jorge Luis Borges.
Bem, a mensagem continua valendo, sendo de Borges ou não!
Abraços.
Sandra Sedini 26 de janeiro de 2011, às 13:44
Mais um poema que a internet ajudou a tornar apócrifo (leia-se: por alguma confusão, foi atribuído àquele autor, mas ele nem sonhou em escrever tal coisa. Pior ainda: quando o estilo é incomparável, como nesse caso do Jorge Luis Borges….).
ver aqui: http://www.revista.agulha.nom.br/autoria.html#betty
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